Nise: Coração da Loucura

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Breve resenha do filme de Nise da Silveira escrito por Thiago Andreieve

“Uma das primeiras mulheres a formar-se em medicina no Brasil, Nise da Silveira, também única mulher em sua turma, teve que enfrentar diversas adversidades, inclusive relativas a gênero, para trabalhar com, e expor, suas ideias acerca do universo da loucura; contribuindo grandiosamente, por fim, à psiquiatria. Concomitantemente, desenvolveu papel fundamental na luta antimanicomial.

O filme retrata uma breve, mas marcante fase da história de Nise. Ao sair da prisão (punição pela posse de livros marxistas), passou em concurso para trabalhar no Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro. Nessa época, técnicas como o eletrochoque e a lobotomia estavam em alta. Entretanto, ela não acreditava na violência como tratamento de distúrbios. Assim, pela recusa em adotar tais métodos, foi transferida para o Setor de Terapia Ocupacional do hospital, menosprezado pelos outros médicos. Ali, foi onde Nise pôde manifestar sua visão humanizada em relação ao “louco”, e com tal, descobriu formas de tratar e amenizar patologias, ao passo em que também descobria potenciais nos pacientes (quem chamava de clientes), e teorizava os mesmos, por vezes relacionando com os estudos de Jung.

Não há sensacionalismos nem grande dramatização. A protagonista sempre consegue encarar as situações de maneira serena, ainda que preocupada. A produção audiovisual, diferente do comum, humaniza o hospício. Não há como na grande maioria dos filmes, aquele clima de terror ou suspense em relação ao espaço. Muito importante, ainda que inconscientemente, para o espectador, o filme é cercado de simbologias, e sua direção de arte é excelente. Tal fato pode ser sintetizado logo na primeira cena, em que Nise insiste em bater num grande portão de metal, de um muro ainda maior, e que desempenha uma função simbólica de divisão de águas, ao ponto em que fora dele está a “realidade”, e dentro o inconsciente, talvez “coração da loucura”.

A contribuição de Nise não se limita à Psiquiatria, estende-se a toda Medicina. Dentro da Terapia Ocupacional, desenvolveu a criação e as artes como tratamento, capaz de regular emoções, e até indicar especificidades da patologia. Sua visão humana de seus “clientes” é reforçada, através de signos, pelos próprios roteiro e direção, além de boas atuações, claro. São evidenciados, de cada um, jeitos, gostos, medos, histórias, trajetória habilidades e, principalmente, HUMANIDADE.”

 

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