Category Archives: Atenção Meditação

O que a neurociência tem a dizer sobre a Procrastinação!

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O que a neurociência tem a dizer sobre a procrastinação? O ato de deixar para depois algo que pode ser feito agora? A procrastinação nos acompanha há milhares de anos, mas depois da Revolução Industrial ela parece ser mais prevalente entre nós porque o ser urbano pode procrastinar muito mais que o ser agrícola, aquele que nunca pode se dar ao luxo de ignorar um pedido da poderosa mãe natureza. Os números indicam que o ato de procrastinar aumentou mais ainda nas últimas décadas e muito provavelmente porque era muito mais fácil assistir televisão que resolver um problema aversivo e agora é muito mais fácil ficar na Internet. As pesquisas indicam que meninos tendem a procrastinar um pouco mais que meninas, talvez por conta de serem mais impulsivos – e os mais impulsivos em geral procrastinam mais. O índice de procrastinação na universidade é assustador para ambos os sexos e gira em torno de 80% a 95%, ou seja, quase todo universitário procrastina – e muito! 75% assume ter problemas com o ato de procrastinar. Qual o problema? Ao contrario do que muitos acreditam, o ato de procrastinar gera resultados muito piores – quase sempre! Mas as pessoas preferem recordar aquela 1 vez em 100 que a procrastinação além de não afetar talvez até tenha ajudado na performance. Acreditar que tudo bem procrastinar é uma falácia que gera mais estresse, mais ansiedade, e mais depressão. Na vida adulta profissional quase todo mundo procrastina, mas 20% da procrastinação está associada a resultados péssimos e prejuízos horrendos que poderiam ser evitados. Poderosos também procrastinam e suas decisões tardias geram o prejuízo de milhões e bilhões de dólares, euros, reais, etc. em empresas e governos. Pense nas políticas de saúde pública? Ao que tudo indica, assim como nossa percepção de tempo futuro é muito ruim, ou seja, quanto mais longe está no futuro um evento, pior é o nosso cálculo de tempo, quanto mais longe uma obrigação, mais ela fica para depois. Um exemplo: começar a poupar para se preparar para a aposentadoria. O que exatamente nos faz procrastinar? Tarefas aversivas. Quanto mais aversiva, mais procrastinamos. Se a tarefa é prazeirosa, não existe procrastinação. Essa é a teoria da motivação temporal: tarefas aversivas não são motivadoras e quanto mais no futuro mais deixamos para depois. E como enfrentar o monstro da procrastinação? Primeiro passo: meditar para reduzir a ansiedade e aumentar a concentração. Meditadores em geral procrastinam menos. Segundo passo: ver a procrastinação como uma guerra e assim organizar essa guerra em pequenas batalhas. E como não somos de ferro devemos escolher boas recompensas para cada pequena batalha vencida na guerra contra a procrastinação.

Esse é um resumo dos estudos da neurociência sobre a procrastinação adaptados da revisão “The nature of procrastination: A meta-analytic and theoretical review of quintessential self-regulatory failure” escrita por Piers Steel na Psychological Bulletin, 133(1), 65-94 (2007) e do recente artigo “Procrastination, Distress and Life Satisfaction across the Age Range – A German Representative Community Study” escrito por Manfred E Beutel e colaboradores e editado por Ulrich S Tran no PlosOne, 11(2), e0148054 (2016).

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O Longo e Necessário Caminho da Meditação

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Sala Therigatha Zazen - Indo como as Ruas

Sala Therigatha Zazen – Indo como as Ruas

A meditação, ao contrário do que muitos pensam, não é necessariamente sinônimo de esvaziar a mente mas sim um exercício de presença onde se pratica a atenção à respiração (de preferência) mas também de todo pensamento que invade o ato meditativo, o que ocorre com frequência mesmo após muitos anos de prática. Existem diferentes formas de meditação e esta aqui descrita recebe o nome de zazen, a prática meditativa do Zen Budismo, não-religioso e compatível com qualquer crença.

A literatura científica vêm investigando os possíveis benefícios da meditação para a população em geral assim como para alguns grupos em específico como, por exemplo, depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do estresse pós-traumático, abuso de substâncias. Os estudos sugerem que a prática meditativa pode ser eficiente no tratamento da depressão. Já nos casos de transtornos de ansiedade generalizada e de estresse pós-traumático, os resultados quanto a eficiência da meditação ainda são incertos. No caso de abuso de substâncias, os resultados sugerem uma eficácia limitada.

A meditação reduz os sintomas de depressão, dor e ansiedade, se mostrando uma forma eficaz para evitar que o aumento dos sintomas progridam para a instalação da depressão ou do transtorno de ansiedade propriamente dito. Em contra partida, os mesmos estudos não encontram melhora significativa no stress, atenção, humor, alimentação, sono. Vale ressaltar que esses estudos são baseados em períodos curtos de prática meditativa (de 2 a 6 meses) e, muito provavelmente, os benefícios da meditação serão diferentes com a prática de anos a fio. A meditação, ao que tudo indica, é um ato que exige disciplina e muitos anos de dedicação. Um caminho longo mas extremamente necessário em nosso cotidiano tão conturbado.
Como praticar Zazen

Como praticar Zazen