Category Archives: Literature

Who is the Colored Man? By Léopold Sédar Senghor

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Dear white brother,

When I was born, I was black,
When I grew up, I was black,
When I am in the sun, I am black,
When I am sick, I am black,
When I die, I will be black.

While you, white man,
When you were born, you were pink,
When you grew up, you were white,
When you go in the sun, you are red,
When you are cold, you are blue,
When you are scared, you are green,
When you are sick, you are yellow,
When you die, you will be grey.

So, between you and me,
Who is the colored man?

Cher frère blanc,

 Quand je suis né, j’étais noir,
Quand j’ai grandi, j’étais noir,
Quand je suis au soleil, je suis noir,
Quand je suis malade, je suis noir,
Quand je mourrai, je serai noir.

Tandis que toi, homme blanc,
Quand tu es né, tu étais rose,
Quand tu as grandi, tu étais blanc,
Quand tu vas au soleil, tu es rouge,
Quand tu as froid, tu es bleu,
Quand tu as peur, tu es vert,
Quand tu es malade, tu es jaune,
Quand tu mourras, tu seras gris.

Alors, de nous deux,
Qui est l’homme de couleur ?

Meu nome é Vermelho – Orhan Pamuk

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Meu nome é Vermelho – Orhan Pamuk

(…) tornei-me o sangue que esguicha do célebre demônio branco, quando Rustam o racha no meio com sua espada maravilhosa; e estava nas dobras dos lençóis entre os quais ele faz furiosamente amor com a filha de seu anfitrião, o rei de Turã. Sim, eu estava e estou em toda parte, sempre. (…) Que sorte tenho de ser o Vermelho! Sou o fogo, sou a força! Todos me notam e me admiram, e ninguém resiste a mim. Devo ser franco: para mim, o refinamento não se esconde na fraqueza nem na sutileza, mas reside na firmeza e na determinação. Eu me exponho, pois, aos olhares. Não tenho medo nem das cores nem das sombras; menos ainda da multidão ou da solidão. Que prazer tenho ao pegar uma superfície oferecida ao meu ardente triunfo: eu a encho, expando-me nela; os corações se embalam, o desejo aumenta, os olhos se arregalam e todos os olhares brilham! Olhem para mim: é bom viver! Vejam como é bom ver! Viver é ver. Podem me ver em toda parte, creiam: a vida começa e se acaba sempre comigo.

(Trechos do capítulo de mesmo nome de Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura – 2006)