Category Archives: Livre Arbitrio

Livre Arbítrio: Crer ou Não Crer? Eis a questão…

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Amor: Nem tudo está escrito nas Estrelas

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O filme “De Caso com o Acaso” (1998) nos conta duas versões da história de Helen, uma executiva (Gwyneth Paltrow) que foi demitida e corre para pegar o trem. Na primeira versão, ela consegue pegar o trem, chega mais cedo em casa, mas encontra o namorado (John Lynch) na cama com outra mulher. Na segunda versão, ela perde o trem, é assaltada, e chega em casa depois que a mulher já foi embora. No more spoiler 😉

O filme “Certo Agora, Errado Antes” (2015, em cartaz em SP) também nos apresenta duas versões da história de Yoon (Min-hee Kim), uma aspirante à artista plástica que conhece um diretor de cinema (Ham, Jung Jae-young) e acabam passando o dia juntos. As diferenças residem em suas falas e como elas alteram o curso do relacionamento. Na primeira versão, Ham se oferece para carregar sua sacola, aproveita para dar uma espiada e Yoon não faz nenhum comentário. Na segunda versão, quando Ham dá uma espiada na sacola, Yoon pergunta o que ele está olhando. Esse é apenas um exemplo de modificação nos diálogos.

Diferente do determinismo que Peter Howitt nos apresenta em “De Caso com o Acaso”, Sang-soo Hong advoga pelo livre arbítrio no amor (Collin, 2015). “Certo Agora, Errado Antes” mostra o quanto nossa postura pode influenciar a percepção, a emoção, e o comportamento do outro. Para o diretor Hong, nem tudo está escrito nas estrelas.

Livre arbítrio: Ilusão necessária?

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free will

Um homem de família de repente se transforma em um pedófilo… e começa a colecionar pornografia infantil, prostituir crianças, assediar a própria sobrinha, entre outros. Condenado por suas atitudes, ele pôde optar entre a prisão ou um programa de reabilitação para viciados em sexo e, obviamente, optou pelo programa… mas se mostrou incapaz de controlar seus impulsos. Na noite anterior a sua prisão, ele deu entrada no pronto socorro de um hospital e pediu uma ressonância de seu cérebro. Resultado: um tumor de tamanho considerável localizado em uma parte do cérebro responsável por regular o comportamento social que por sua vez inclui o controle de impulsos sexuais. Logo depois da cirurgia de remoção do tumor o comportamento pedófilo desapareceu. Algum tempo depois, o comportamento inadequado ressurgiu e uma nova ressonância confirmou a recidiva do câncer. Portanto, fica a pergunta: onde está o livre arbítrio?

Esse homem assim como o clássico caso de Phineas Gage e inúmeros outros de danos cerebrais que afetam diretamente o comportamento social contradizem a crença quase universal em livre arbítrio. E questionar a existência do mesmo abala toda a infraestrutura de nossa sociedade, do sistema legislativo ao judiciário, todos baseados no livre arbítrio.

Quer você acredite ou não, o seu cérebro decide o que você vai decidir meio milisegundo antes de você achar que está decidindo por você mesmo, ou seja, a sua mente recebe a decisão que vem do seu cérebro e não o contrário.

Mas qual é o problema em aceitar que praticamente não temos livre arbítrio? Well… as evidências científicas indicam que pessoas que não acreditam em livre arbítrio são mais agressivas, menos produtivas, mais anti-socias e, mais propensas a serem desonestas. Em outras palavras, não acreditar em livre arbítrio afeta o funcionamento cerebral que por sua vez modifica as atitudes que serão executados pelo dono daquele cérebro.

Vamos exemplificar. Dois pesquisadores resolveram se juntar para testar o quanto motivar a crença no  determinismo ou no livre arbítrio pode afetar o comportamento humano. Eles dividiram os voluntários em dois grupos. Num grupo, as pessoas liam textos que endossavam o determinismo enquanto no outro grupo as pessoas liam textos que endossavam o livre arbítrio. Na sequência, ambos os grupos realizaram atividades onde eram expostos a chance de burlar (adquirir respostas do computador enquanto eram instruídas para resolverem elas próprias o problema). O que aconteceu? Os voluntários induzidos a acreditar em determinismo burlaram o teste enquanto os voluntários induzidos a acreditar em livre arbítrio não burlaram o teste. Eles estavam conscientes do porque decidiram burlar ou não o teste? De forma alguma! Seus cérebros foram influenciados pela leitura do texto e suas mentes agiram de acordo com essa indução sem se quer perceberem… Esse estudo é apenas um dentre dezenas de outros que chegam a mesma conclusão: o livre arbítrio é uma ilusão necessária.

PS: Esse texto foi baseado no capítulo Free Will: A Grand Illusion do livro Impulse: Why we do what we do without knowing why we do it escrito por David Lewis (2013, pp. 198-204) e no artigo The Value of Believing in Free Will: Encouraging a belief in determinism increases cheating escrito por Kathleen D. Vohs e Jonathan W Schooler (2008).