Amor: Nem tudo está escrito nas Estrelas

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O filme “De Caso com o Acaso” (1998) nos conta duas versões da história de Helen, uma executiva (Gwyneth Paltrow) que foi demitida e corre para pegar o trem. Na primeira versão, ela consegue pegar o trem, chega mais cedo em casa, mas encontra o namorado (John Lynch) na cama com outra mulher. Na segunda versão, ela perde o trem, é assaltada, e chega em casa depois que a mulher já foi embora. No more spoiler 😉

O filme “Certo Agora, Errado Antes” (2015, em cartaz em SP) também nos apresenta duas versões da história de Yoon (Min-hee Kim), uma aspirante à artista plástica que conhece um diretor de cinema (Ham, Jung Jae-young) e acabam passando o dia juntos. As diferenças residem em suas falas e como elas alteram o curso do relacionamento. Na primeira versão, Ham se oferece para carregar sua sacola, aproveita para dar uma espiada e Yoon não faz nenhum comentário. Na segunda versão, quando Ham dá uma espiada na sacola, Yoon pergunta o que ele está olhando. Esse é apenas um exemplo de modificação nos diálogos.

Diferente do determinismo que Peter Howitt nos apresenta em “De Caso com o Acaso”, Sang-soo Hong advoga pelo livre arbítrio no amor (Collin, 2015). “Certo Agora, Errado Antes” mostra o quanto nossa postura pode influenciar a percepção, a emoção, e o comportamento do outro. Para o diretor Hong, nem tudo está escrito nas estrelas.

Fazer Dieta é Perigoso: o que a Neurociência e a Evolução ensinam!

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Apenas 1% das pessoas que fizeram dieta vão conservar o novo peso sem ganhar novamente o que que perderam ao emagrecer. Isso significa que apenas 1 em 100 pessoas que fazem dieta terão sucesso a longo prazo. Esses números ficam ainda mais assustadores quando se trata de obesidade mórbida: apenas 1 a cada 1.290 homens extremamente obesos manterão a perda de peso e apenas 1 a cada 677 mulheres com obesidade mórbida. Sabe qual é o problema? Não é a pouca ou ausente força de vontade, mas sim a forma como o nosso cérebro funciona. O que a evolução e a neurociência nos ensina é que focar na dieta para perder peso é um tremendo equivoco. Além de não garantir a perda de peso, muito pelo contrário, a dieta quase nunca vem acompanhada de melhoras significativas na saúde.

Toda vez que você começa uma dieta, o seu cérebro NÃO vai entender que você quer emagrecer, pelo contrário, ele vai achar que você está faminto e vai acionar um estado de alerta, buscando meios para você não perder peso, seja te fazendo não resistir a dieta ou consumindo menos caloria dos alimentos ingeridos. E se você perder peso seu cérebro não vai esquecer o peso anterior e cedo ou tarde você volta para o peso que o seu cérebro deseja que é o peso indesejado por você mesmo. Tanto faz se a perda de peso ocorreu de forma rápida ou lenta, em meses ou anos o seu peso volta para o peso anterior a deita e – pior! – 41% das pessoas passam a ter mais peso do que o peso que tinham antes da dieta. Assustador?

Então, qual a solução? O foco não pode ser a alimentação mas sim as atividades que tirem o foco da comida. Quais são elas? Exercício e meditação. Essas sim são atividades que podem modificar a forma como seu cérebro funciona. A verdade é que o simples fato de entrar numa dieta aumenta e muito a chance de se tornar obeso um dia: aumenta 2 vezes para homens e 3 vezes para mulheres, bastou entrar em dieta. Mulheres que fizeram 2 ou mais dietas na vida tem 5 vezes mais chances de ficarem com sobrepeso. Triste não? Um estudo com gêmeos idênticos nos mostra que o gêmeo que faz dieta é mais propenso a se tornar obeso comparado ao gêmeo que não faz dieta. A diferença na propensão a ganhar peso chega a ser ainda maior quando se trata de gêmeos fraternais, o que sugere (além de muitos outros estudos) um componente genético bastante expressivo na tendência a ganhar peso ou entrar para a estatística da obesidade. Atletas que fazem dieta para se qualificarem às competições como lutadores de box e wrestlers são 3 vezes mais propensos a se tornarem obesos quando chegarem aos 60 anos do que atletas que não precisam de dieta.

Alguns programas para combater os transtornos alimentares visam o oposto: ensinar as pessoas e principalmente adolescentes a não focarem no peso, a não desejarem ser mais magras e a não entrarem em dietas. Entre eles, o eBody Project e o Tri Delta – Fat Talk Free. Nesses programas, as adolescentes acabam por ganhar menos peso em relação a garotas nas mesmas condições que fazem dieta. De novo: o foco não pode ser o regime! Mas por que? Porque fazer regime é estressante e estresse gera acúmulo de gordura abdominal que por sua vez está relacionada com problemas de saúde como diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, estar em dieta gera mais ansiedade que por sua vez aumenta a chance da pessoa adquirir hábitos alimentares compulsivos no futuro. Adolescentes que fazem regime com frequência tem 12 vezes mais chance de apresentarem compulsões alimentares nos anos seguintes.

A compulsão alimentar é uma resposta natural após os períodos de fome exacerbada. Nosso cérebro não entende o regime como um desejo de passar fome para perder peso, mas sim como um período onde a fome é consequência da ausência de alimentos. Ao que tudo indica, essa é uma resposta comum a maior parte dos mamíferos que enfrentaram ao longo dos últimos milhões de anos muitos períodos de fome, mas principalmente para nós humanos que ao inventarmos a agricultura passamos a ter menor variedade na alimentação e enfrentar de forma mais frequente os períodos de fome em decorrência de desastres naturais que destruíam as futuras colheitas. Hoje, os cérebros que se entregam a compulsão alimentar ficam a espera de um período de escassez que nunca virá e, portanto, se tornam obesos. A obesidade é uma novidade para a sociedade dos homens tanto quanto a abundância em alimentos. Portanto, também é uma novidade para nossos cérebros desejar perder peso, recusar a abundância em açucares e gorduras assim como não precisar esperar pela fome.

Regime é sinônimo de estresse, mas não estresse positivo e sim estresse negativo. O estresse negativo consome muita glicose que é o alimento fundamental do auto-controle que terá sua capacidade de resistir a tentação mais reduzida. Além disso, a frequente privação alimentar altera os circuitos de dopamina assim como de outros neurotransmissores no cérebro que são responsáveis por calibrar nossa satisfação e insatisfação, determinando novos limites para definir fome e saciedade ou aceitação e frustração. Ratos de laboratórios adquirem hábitos compulsivos depois de enfrentarem períodos de privação alimentar. Já os ratos expostos ao mesmo tipo de estresse mas sem enfrentarem fome não se entregam a compulsão. Na prática, ratos estressados e que passaram fome vão comer Oreo compulsivamente enquanto os ratos estressados mas que não passaram fome não vão querer comer Oreo sem parar. Portanto, se você não quer sucumbir a um pacote de Oreo ou um pote de Nutela, o primeiro passo é não fazer dieta.

As pessoas em geral associam a perda de peso com uma melhora no metabolismo quando, na verdade, essa melhora metabólica é causada por mudanças de comportamento como, por exemplo, atividade física ou ingestão de alimentos saudáveis (verduras, fibras, etc). Os praticantes da dieta deixam de prestar atenção nos sinas de fome e saciedade e passam a praticar regras externas que não necessariamente beneficiam o corpo em questão. O regime gera um ciclo vicioso que é destrutivo e geralmente pautado na estética. O uso regular de balanças de peso estão relacionados ao desenvolvimento de transtornos alimentares. Crianças que testemunham a dieta de suas mães tem mais chances de ser obesas ou apresentarem compulsões ou outros transtornos alimentares. Enfim, fazer dieta é perigoso.

 

Esse é um resumo livre do artigo Why You Can’t Lose Weight on a Diet escrito por Sandra Aamodt no The New York Times (6 de maio de 2016) e adiciona o conceito de que o auto-controle é uma fonte limitada de energia (Baumeister et al, 2007) além de pincelar as bases evolutivas da obesidade.

Cataratas de Monet

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Monet teve vida longa. Nasceu em 1840 e faleceu em 1926, com 86 anos. Em 1908, com 68 anos e já um pintor renomado, os artigos da época documentavam a extrema insatisfação com sua visão que vinha se deteriorando assim como os rompantes de angustia que o levava a destruir suas telas. O motivo: catarata em ambos olhos.

A catarata faz parte do processo natural de envelhecimento, quando o cristalino vai deixando de ser transparente, se tornando opaco e gerando uma visão cada vez mais borrada e amarelada (veja pinturas acima: 1902 antes da catarata e 1920-22 já com catarata avançada). No caso de Monet, essa opacificação pode ter sido acelerada pelo fato de que passou a vida pintando ao ar livre e portanto se expondo mais do que o normal aos raios ultra-violeta que aceleram o processo de envelhecimento do cristalino. Além disso, Monet era fumante, fator de risco para o desenvolvimento de catarata nuclear, exatamente a catarata que adquiriu. Mas catarata já tinha cura naquela época: a cirurgia de remoção com posterior uso de óculos do tipo Mr. Magoo para compensar a ausência do cristalino então retirado. A catarata dificulta a passagem dos azuis gerando uma visão bastante amarelada do mundo e, após a cirurgia, o mundo deixa de ser amarelado e passa a ser mais azulado e aos poucos o pós-operado vai se adaptando e o mundo volta a ser como antes da catarata, nem muito amarelado e nem muito azulado. Mas é preciso ter paciência e muito mais paciência nos tempos de Monet.

Bastante dependente da visão e das cores, muito inseguro e extremamente ansioso, Monet tinha muito medo de cirurgia. E para aumentar seu medo, sua amiga Mary Cassat, também artista plástica, parou de pintar após a cirurgia de catarata. Apesar de seus constantes pesadelos, ele acabou se rendendo à cirurgia quando ficou praticamente cego e impossibilitado de trabalhar. Finalmente, com 83 anos e depois de viver aproximadamente 15 anos (1908-1923) com catarata nuclear bilateral que piorava com o passar dos anos, o oftalmologista Coutela realizou em janeiro de 1923 dois procedimentos (normal para aquela época) para a remoção de sua catarata (no olho direito).

Infelizmente os pesadelos não acabaram após a cirurgia. A ansiedade de Monet dificultava muito sua recuperação. Junto a isso, a parte posterior do cristalino (que normalmente não é removida em cirurgia) se tornou rapidamente opaca bloqueando a visão de Monet e em menos de 6 meses após o primeiro procedimento, ele teve que enfrentar um terceiro procedimento cirúrgico que lhe causou ainda mais angustia e sofrimento. Hoje, a parte posterior continua não sendo retirada e quando se torna opaca não é preciso outra cirugia mas sim uma aplicação de laser para retirar a opacidade. Na cirurgia de Monet, realizada em sua própria casa, foi feita uma abertura para retirar essa parte opaca que impedia Monet de se dedicar exclusivamente a adaptação da nova visão depois da remoção da catarata.

Monet não ficou satisfeito, não se ajustava aos óculos e continuava extremamente deprimido. Naquela época, era preciso muita paciência e tempo para recuperar a visão, mas Monet além de ansioso tinha idade avançada e se preocupava em não ter tempo suficiente para entregar suas telas prometidas ao L’Orangerie. Um ano após o terceiro procedimento, Monet continuava dizendo que era preferível ser cego. Mesmo insatisfeito, tentou trabalhar na série Water Lilies com os óculos Mr. Magoo que tinham lentes bem grossas para o olho operado e lentes bem opacas que bloqueavam o pouco de visão borrada que lhe restava no olho com catarata e que ainda não tinha sido operado (o olho esquerdo, que nunca foi operado). Nessa época, Monet começou a ser visitado por outro oftalmologista, Mawas. Depois de um ano testando lentes de diversas cores e dois anos após sua ultima cirurgia, Monet acabou se adaptando e optou por óculos sem filtros coloridos.

Em julho de 1925, Monet então sentiu que finalmente havia recuperado sua verdadeira visão e trabalhou vigorosamente para terminar os 19 painéis que havia prometido para serem instalados no futuro L’Orangerie que estava sendo construído especialmente para elas. Monet entregou não apenas 19 painéis mas sim um total de 22, mas infelizmente faleceu antes de poder visitar sua obra instalada. Foi seu amigo Clemenceau, que esteve sempre ao seu lado, quem fechou seus olhos assim que deixou esse mundo, mas foi também Clemenceau que dois meses depois ajudou o mundo a ver melhor através dos olhos de Monet com a abertura do Musee de L’Orangerie (Werner, 1998).

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Acredita-se que a obra da esquerda – bastante amarelada – tenha sido realizada antes da cirurgia de catarata no olho direito ou após a cirugia mas apenas com o olho esquerdo que permaneceu com catarata e, a obra da direita tenha sido realizada apenas com o olho direito e após a cirurgia de remoção da catarata, gerando uma pintura bastante azulada que contrasta com o mundo amarelado da catarata.

Referências:

Capitulo Aging through the Eyes of Monet escrito por John S. Werner no livro Color Vision Perspectives from Different Disciplines (1998 ) Walter de Gruyter & Co., Berlin-NewYork.

Capitulo Cataracts, Surgery, and Color: The Case of Monet no livro The Artist’s Eyes (2009) Abrams, New York, escrito por Michael F. Marmor e James G. Ravin.

Ficção: Poderosa Arma dos Homens

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Como já sabemos, nossos sentidos são limitados e não dão conta de interpretar a realidade. Portanto, nossa realidade é sempre parcial e, além disso, relativa. Relativa porque pensamos sempre em comparação. Não existiria a noite se não fosse o dia, a fome se não fosse a saciedade, o cheiroso se não fosse o fedido.

Se a realidade é parcial e relativa, ela é apenas um ponto de vista. Quando o ponto de vista é compartilhado unanimemente, geralmente estamos falando de uma realidade objetiva como, por exemplo, o rio, a árvore, o leão. Quando o ponto de vista é dificilmente compartilhado por todos, geralmente estamos falando de uma realidade subjetiva também conhecida por construção social, ideia, mito, ficção.

Quando uma realidade subjetiva é compartilhada por quase todo mundo, ela se parece com uma realidade objetiva. Dois bons exemplos: Deus e dinheiro. Ambos não são realidades objetivas mas sim ideias consideradas reais pela maioria esmagadora de nós humanos. Quanto mais gente acreditar numa realidade subjetiva, menos ela se parece com uma ficção e mais ela se parece com a realidade objetiva.

Somos um animal social e as realidade subjetivas são extremamente necessárias para nossa organização em sociedade. Elas são o fruto da nossa necessidade aliada a nossa imaginação. Nenhum outro animal no planeta tem a imaginação que nós temos:

É difícil respeitar o direito alheio. Criamos a Lei.

A vida nem sempre parece ter sentido. Criamos Deus.

É difícil amar ao próximo como a si mesmo. Criamos a Religião.

A vida é muito curta. Criamos a Vida Eterna (e a Reencarnação).

É difícil ter apenas um parceiro. Criamos o Casamento.

Mitos partilhados facilitam a cooperação. Dois crentes que nunca se viram podem atravessar um período de sofrimento lado a lado com fé na vontade de Deus. Dois evangélicos que nunca se viram podem juntos protestar contra o aborto ou o casamento gay. Dois norte-americanos que nunca se viram podem unir forças na guerra em nome de sua nação. Dois funcionários de uma mesma corporação que não se conhecem são capazes de trabalhar por horas ou meses com a mesma finalidade.

Vivemos uma realidade dual. Por um lado a realidade objetiva, uma fonte esgotável. Por outro lado a realidade subjetiva, uma fonte inesgotável. Note que nossas realidades subjetivas são hoje mais poderosas que as realidade objetivas e até mesmo a sobrevivência de rios, árvores e leões dependem da graça concedida por deuses, nações, corporações, e o dinheiro.

 

Essa é uma resenha reflexão sobre o papel da ficção em nossa sociedade discutido no capítulo A Árvore do Conhecimento do livro Sapiens escrito por Yuval Noah Harari.

História da Fofoca em Um Parágrafo

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Somos um animal social e a cooperação é essencial para nosso bem estar e, principalmente, para o bem estar de nossos filhos. Há 70 mil anos, éramos coletores de alimentos e já naquela época parecia muito mais importante trocar informações sobre outros humanos do que sobre outros animais. O porquê? É muito vantajoso saber de antemão quem é honesto e quem é desonesto e, portanto, saber com quem vale a pena cooperar. Foi nessa época que desenvolvemos nossa linguagem e assim, diferente de outros primatas que também são interessados em ter informações sobre seus colegas, passamos a poder conversar por horas a fio sobre o comportamento e a personalidade dos outros. Qual é o nome disso? Fofoca. Parece piada? Mas não é. A teoria da fofoca é uma das melhores para explicar a evolução da linguagem. Note que até hoje a fofoca é um dos assuntos preferidos. Seja num café ou no noticiário, é sempre bom ter uma idéia de quem é confiável. Afinal de contas, quem não curte uma boa fofoca?

Nós Sapiens e a Extinção de Todos outros Homos

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Reconstrução especulativa do Homo neanderthalensis. Fonte: Sapiens escrito por Yuval Noah Harari.

 

Sabemos que nós sapiens co-habitamos a Terra por um bom tempo com outros Homos, entre eles os neandertais, os erectus, os desinovanos. Duas teorias tentam explicar a extinção de todos Homos que não eram sapiens, sendo que o último (florensis) foi extinto há 12 mil anos. Na teoria da miscigenação, os sapiens foram se deslocando da África para outras regiões e se misturando. Assim, europeus são uma mistura com neandertais e chineses uma mistura com erectus enquanto os australianos uma mistura com os desinovanos. Já na teoria da substituição, diferentes Homos não somente não se misturavam como também se repeliam. A teoria da miscigenação tem consequências políticas e sociais gravíssimas visto que o racismo pode ser entendido como mera conseqüência de um abismo genético gerado pelas diferentes misturas. Em contra partida, a teoria da substituição parece mais provável visto que a intolerância é uma característica marcante do sapiens e nossos ancestrais podem ter no mínimo dificultado imensamente a sobrevivência de todos os nossos primos humanos. Ao que tudo indica nos misturamos mas muito pouco visto que, por exemplo, aborígenes australianos possuem 6% de DNA denisovano e populações do oriente médio possuem de 1% a 4% de DNA de neandertal; como fomos capazes de extinguir a maior parte dos animais nos últimos 200 anos, não é difícil imaginar que fomos capazes de destruir algumas espécies humanas. No entanto, ainda não podemos afirmar com certeza absoluta que fomos nós os responsáveis pela extinção de todos nossos primos. De qualquer forma, seja pela miscigenação ou pela substituição, somos extremamente intolerantes quando não nos reconhecemos no próximo. 

Reflexão retirada do livro Sapiens escrito por Yuval Noah Harari.

Evolução e Canal de Parto: Conta mais cara para as Mulheres

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Somos o único animal ereto do planeta. Deixando de ser quadrúpedes, não mais precisávamos das mãos para correr e assim elas ficaram liberadas para outros afazeres como criar e utilizar ferramentas sofisticadas. Ganhamos também uma visão mais ampla e passamos a melhor mapear nossas savanas e nossos predadores. Esses ganhos geraram um cérebro maior e mais capacitado a pensar estratégias de sobrevivência. Mas algumas desvantagens nos acompanharam. Carregar um cérebro pesado trouxe dor nas costas e rigidez no pescoço e as mulheres, como sempre, pagaram mais caro essa conta. O caminhar ereto reduziu a largura do quadril assim como do canal do parto e o ato de parir passou a ser um medo constante na vida das mulheres, sem mencionar que os bebês começaram a ter cérebros cada vez maiores. Essas condições favoreceram a seleção natural de mulheres que davam a luz a bebês prematuros garantindo a sobrevivência de ambos. Vale ressaltar que o que significa termo hoje era prematuro para nossos ancestrais. De fato, nossos bebês são muito prematuros quando comparados a outros mamíferos. Em contra partida, a dependência gerada pela prematuridade é justamente o que molda nossa extraordinária habilidade social. Enquanto um gato sai em busca de alimentos após poucas semanas de vida, um bebê requer sustento e proteção por anos a fio, mas é justamente por isso que pode ser melhor educado e preparado para a convivência em sociedade. 

Trecho inspirado pelo capítulo Um Animal Insignificante do livro Sapiens escrito por Yuval Noah Harari.