Seu Cérebro Não Gosta de Dieta!

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O poder do ficção na sociedade: sobre realidades objetiva e subjetiva!

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O mundo é uma ilusão e a realidade é um ponto de vista!

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Professor Luiz Carlos de Lima Silveira

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Professor Luiz Carlos de Lima Silveira, Claudia Feitosa-Santana, and Barbara Finlay

Professor Luiz Carlos de Lima Silveira, Claudia Feitosa-Santana, & Barbara Finlay (ECVP, Russia, 2006)

A ciência brasileira perdeu uma estrela, o brilhante Professor Luiz Carlos de Lima Silveira. O mestre que sempre mereceu o tratamento vocativo de Professor. Ele sempre será O PROFESSOR LUIZ CARLOS porque era impossível separar a pessoa do professor. Aqui uma biografia escrita por Dora Fix Ventura:

“Luiz Carlos de Lima Silveira, Professor emeritus at the Federal University of Pará (UFPA), Belém, Brazil, died in São Paulo, Brazil, on June 10, 2016 after a long illness.

Luiz Carlos de Lima Silveira received his MD from the Federal University of Pará, in Belém and his graduate degrees in the Biophysics Institute of Rio de Janeiro (UFRJ) – MSc in 1980, PhD in 1985 under Eduardo Osvaldo Cruz. A major interest was comparative neurobiology of the visual system of higher mammals..These electrophysiological experiments were complemented by a postdoctoral period at Oxford University with Alan Cowey and Hugh Perry working on the primate retina.

After returning to Brazil in 1988 he developed a neuroscience lab in Belém, Pará, his home town.  He left a thriving group of former students focused on morphological and electrophysiological investigation of the parallel pathways of the visual system of New World primates and of rodent Amazonian species. He developed strong collaborations with vision scientists around the world, especially with Barry Lee, Jan Kremers and Barbara Finlay. Later he founded a second laboratory dedicated to work on the impact of exposure to neurotoxic agents, and of neurodegenerative genetic or metabolic diseases, on human vision, an area in which he worked in close collaboration with Dora Fix Ventura.

In recognition Luiz Carlos de Lima Silveira was elected member of the Brazilian Academy of Science and received from Brazil´s president the title of Commander of the National Order of Scientific Merit. He also was honored with the title of Emeritus Professor at UFPA and received the Neuroscience Brazil Medal from the Brazilian Society of Neuroscience.

Luiz Carlos left his wife Regina and two children from his first marriage. Students and colleagues in Brazil, and his many friends throughout the world, will miss his bright presence, the vivid discussions about politics and science, his humor and wit.”

 

Neurociência: Quem Somos Nós

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Descobri um novo talento: Divulgação Científica. Quem Somos Nós: Um programa da Eldorado com Celso Loducca em parceria com a Casa do Saber. Minha entrevista sobre Neurociência na Eldorado é a terceira mais acessada desde que o programa existe.

 

Amor: Nem tudo está escrito nas Estrelas

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O filme “De Caso com o Acaso” (1998) nos conta duas versões da história de Helen, uma executiva (Gwyneth Paltrow) que foi demitida e corre para pegar o trem. Na primeira versão, ela consegue pegar o trem, chega mais cedo em casa, mas encontra o namorado (John Lynch) na cama com outra mulher. Na segunda versão, ela perde o trem, é assaltada, e chega em casa depois que a mulher já foi embora. No more spoiler 😉

O filme “Certo Agora, Errado Antes” (2015, em cartaz em SP) também nos apresenta duas versões da história de Yoon (Min-hee Kim), uma aspirante à artista plástica que conhece um diretor de cinema (Ham, Jung Jae-young) e acabam passando o dia juntos. As diferenças residem em suas falas e como elas alteram o curso do relacionamento. Na primeira versão, Ham se oferece para carregar sua sacola, aproveita para dar uma espiada e Yoon não faz nenhum comentário. Na segunda versão, quando Ham dá uma espiada na sacola, Yoon pergunta o que ele está olhando. Esse é apenas um exemplo de modificação nos diálogos.

Diferente do determinismo que Peter Howitt nos apresenta em “De Caso com o Acaso”, Sang-soo Hong advoga pelo livre arbítrio no amor (Collin, 2015). “Certo Agora, Errado Antes” mostra o quanto nossa postura pode influenciar a percepção, a emoção, e o comportamento do outro. Para o diretor Hong, nem tudo está escrito nas estrelas.

Fazer Dieta é Perigoso: o que a Neurociência e a Evolução ensinam!

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Apenas 1% das pessoas que fizeram dieta vão conservar o novo peso sem ganhar novamente o que que perderam ao emagrecer. Isso significa que apenas 1 em 100 pessoas que fazem dieta terão sucesso a longo prazo. Esses números ficam ainda mais assustadores quando se trata de obesidade mórbida: apenas 1 a cada 1.290 homens extremamente obesos manterão a perda de peso e apenas 1 a cada 677 mulheres com obesidade mórbida. Sabe qual é o problema? Não é a pouca ou ausente força de vontade, mas sim a forma como o nosso cérebro funciona. O que a evolução e a neurociência nos ensina é que focar na dieta para perder peso é um tremendo equivoco. Além de não garantir a perda de peso, muito pelo contrário, a dieta quase nunca vem acompanhada de melhoras significativas na saúde.

Toda vez que você começa uma dieta, o seu cérebro NÃO vai entender que você quer emagrecer, pelo contrário, ele vai achar que você está faminto e vai acionar um estado de alerta, buscando meios para você não perder peso, seja te fazendo não resistir a dieta ou consumindo menos caloria dos alimentos ingeridos. E se você perder peso seu cérebro não vai esquecer o peso anterior e cedo ou tarde você volta para o peso que o seu cérebro deseja que é o peso indesejado por você mesmo. Tanto faz se a perda de peso ocorreu de forma rápida ou lenta, em meses ou anos o seu peso volta para o peso anterior a deita e – pior! – 41% das pessoas passam a ter mais peso do que o peso que tinham antes da dieta. Assustador?

Então, qual a solução? O foco não pode ser a alimentação mas sim as atividades que tirem o foco da comida. Quais são elas? Exercício e meditação. Essas sim são atividades que podem modificar a forma como seu cérebro funciona. A verdade é que o simples fato de entrar numa dieta aumenta e muito a chance de se tornar obeso um dia: aumenta 2 vezes para homens e 3 vezes para mulheres, bastou entrar em dieta. Mulheres que fizeram 2 ou mais dietas na vida tem 5 vezes mais chances de ficarem com sobrepeso. Triste não? Um estudo com gêmeos idênticos nos mostra que o gêmeo que faz dieta é mais propenso a se tornar obeso comparado ao gêmeo que não faz dieta. A diferença na propensão a ganhar peso chega a ser ainda maior quando se trata de gêmeos fraternais, o que sugere (além de muitos outros estudos) um componente genético bastante expressivo na tendência a ganhar peso ou entrar para a estatística da obesidade. Atletas que fazem dieta para se qualificarem às competições como lutadores de box e wrestlers são 3 vezes mais propensos a se tornarem obesos quando chegarem aos 60 anos do que atletas que não precisam de dieta.

Alguns programas para combater os transtornos alimentares visam o oposto: ensinar as pessoas e principalmente adolescentes a não focarem no peso, a não desejarem ser mais magras e a não entrarem em dietas. Entre eles, o eBody Project e o Tri Delta – Fat Talk Free. Nesses programas, as adolescentes acabam por ganhar menos peso em relação a garotas nas mesmas condições que fazem dieta. De novo: o foco não pode ser o regime! Mas por que? Porque fazer regime é estressante e estresse gera acúmulo de gordura abdominal que por sua vez está relacionada com problemas de saúde como diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, estar em dieta gera mais ansiedade que por sua vez aumenta a chance da pessoa adquirir hábitos alimentares compulsivos no futuro. Adolescentes que fazem regime com frequência tem 12 vezes mais chance de apresentarem compulsões alimentares nos anos seguintes.

A compulsão alimentar é uma resposta natural após os períodos de fome exacerbada. Nosso cérebro não entende o regime como um desejo de passar fome para perder peso, mas sim como um período onde a fome é consequência da ausência de alimentos. Ao que tudo indica, essa é uma resposta comum a maior parte dos mamíferos que enfrentaram ao longo dos últimos milhões de anos muitos períodos de fome, mas principalmente para nós humanos que ao inventarmos a agricultura passamos a ter menor variedade na alimentação e enfrentar de forma mais frequente os períodos de fome em decorrência de desastres naturais que destruíam as futuras colheitas. Hoje, os cérebros que se entregam a compulsão alimentar ficam a espera de um período de escassez que nunca virá e, portanto, se tornam obesos. A obesidade é uma novidade para a sociedade dos homens tanto quanto a abundância em alimentos. Portanto, também é uma novidade para nossos cérebros desejar perder peso, recusar a abundância em açucares e gorduras assim como não precisar esperar pela fome.

Regime é sinônimo de estresse, mas não estresse positivo e sim estresse negativo. O estresse negativo consome muita glicose que é o alimento fundamental do auto-controle que terá sua capacidade de resistir a tentação mais reduzida. Além disso, a frequente privação alimentar altera os circuitos de dopamina assim como de outros neurotransmissores no cérebro que são responsáveis por calibrar nossa satisfação e insatisfação, determinando novos limites para definir fome e saciedade ou aceitação e frustração. Ratos de laboratórios adquirem hábitos compulsivos depois de enfrentarem períodos de privação alimentar. Já os ratos expostos ao mesmo tipo de estresse mas sem enfrentarem fome não se entregam a compulsão. Na prática, ratos estressados e que passaram fome vão comer Oreo compulsivamente enquanto os ratos estressados mas que não passaram fome não vão querer comer Oreo sem parar. Portanto, se você não quer sucumbir a um pacote de Oreo ou um pote de Nutela, o primeiro passo é não fazer dieta.

As pessoas em geral associam a perda de peso com uma melhora no metabolismo quando, na verdade, essa melhora metabólica é causada por mudanças de comportamento como, por exemplo, atividade física ou ingestão de alimentos saudáveis (verduras, fibras, etc). Os praticantes da dieta deixam de prestar atenção nos sinas de fome e saciedade e passam a praticar regras externas que não necessariamente beneficiam o corpo em questão. O regime gera um ciclo vicioso que é destrutivo e geralmente pautado na estética. O uso regular de balanças de peso estão relacionados ao desenvolvimento de transtornos alimentares. Crianças que testemunham a dieta de suas mães tem mais chances de ser obesas ou apresentarem compulsões ou outros transtornos alimentares. Enfim, fazer dieta é perigoso.

 

Esse é um resumo livre do artigo Why You Can’t Lose Weight on a Diet escrito por Sandra Aamodt no The New York Times (6 de maio de 2016) e adiciona o conceito de que o auto-controle é uma fonte limitada de energia (Baumeister et al, 2007) além de pincelar as bases evolutivas da obesidade.