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The Neuroscience of #TheDress

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#TheDress #WhiteandGod #BlackandBlue

#TheDress #WhiteandGod #BlackandBlue

Color perception is as relative as human perception in general, and it is easy to understand this statement if we use price as an example. The dress in question costs 77 dollars. This is expensive or cheap? It Depends. It is nothing to a Hollywood actress, but expensive for a beggar anywhere in the world.

What the price has to do with the color? Just as expensive and cheap depends on the bank account of each owner, the color of the dress also depends on how each person’s brain works. In the case of #TheDress, people are divided into two main categories, #whiteandgold or #blackandblue. The color of the original dress is black and blue, but what matters is the photo that generated a different dress (pictured above) and observers are divided between #whiteandgold or #blackandblue. Who is right? Everyone.

#TheDress

What is this for? Perceptual constancy brings some stability to our lives already so troubled. In the specific case of color, constancy is a mechanism that is constantly discounting changes in lighting so that the color of objects remains stable. Without the color constancy, we would perceive objects changing color almost all the time because the light emitted by objects – in fact – changes according to the change in lighting, whether natural or artificial. In other words, we see differences where they exist and therefore “we do not see the world as it is, but how it can be useful to us” as stated Beau Lotto.

Some brains assume that the lighting is yellowish, discounting the yellow and perceiving a #blackandblue dress while others assume that the lighting is blueish, discounting the blue and perceiving a #whiteandgold dress. The simulation below is the one that best illustrates the difference between those who discounts blue lighting (left) and those who discounts the yellow lighting (right).

Decodificando o desconto da iluminação! https://xkcd.com/1492/

Decodificando o desconto da iluminação! https://xkcd.com/1492/

If the brain’s task was deciding between a green or blue lighting, #TheDress would never gone viral. Blue and green colors are not opponents and the differences would have passed unnoticed. Discounting blue creates a perception predominantly yellow and discounting green creates a perception predominantly red. Yellow and red are two different colors but between them there is a wide variety of yellowish-red, orangish-red, and many other similar descriptions that we are used to and it would never cause a huge controversy.

The same cannot be said in the case of blue and yellow. They are opponents in the human color space and the perceptual result differs completely. Discounting blue creates a perception predominantly yellow and then people perceive #whiteandgold while discounting yellow creates a perception predominantly blue and people perceive #blackandblue. Between blue and yellow there is no intermediary color because there are no blueish-yellow or yellowish-blue and, therefore, either we name it yellow or gold or any other name that does not contain any blue or we name blue or any other name that does not contains anything about yellow – the reason for the stark difference.

Human Color Space

Human Color Space

What makes a person see #whiteandgold and another person see #blackandblue? In my research, 50% perceive #whiteandgold and 50% perceive #blackandblue. If this result is confirmed, the choice between seeing one or another may be merely the result of chance orchestrating our brains as getting heads or tails is also a matter of randomness. If my sample is not confirmed, the answer live somewhere else and Drummond was right because “each chose as his whimsy, his illusion, his myopia.” In this case, further research could help us understand what differs those who perceive #whiteandgold and those who perceive #blackandblue. One way or another, everyone is right because our minds were designed to see a bit but not much and it varies from brain to brain.

Color is often thought of as a quality of the object or light, but this is not true. The color is a mental phenomenon determined by neuronal processes and the light is just the beginning of this process that ends with the perception of one or more colors. Experiencing blue or gold or any other color is a mental construction.

Claudia Feitosa-Santana is a neuroscientist with Masters in Experimental Psychology and PhD in Neuroscience and Behavior from the University of Sao Paulo, and a Postdoctoral in Integrative Neuroscience from The University of Chicago. She lives in Chicago where she is an Adjunct Professor at The School of The Art Institute of Chicago and at the Roosevelt University.

A Ciência por trás do #TheDress

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#TheDress #WhiteandGod #BlackandBlue

A percepção de cores é relativa assim como a percepção humana em geral e fica fácil entender isso se usarmos preço como exemplo. O vestido em questão custa 77 dólares. Isso é caro ou barato? Depende. É irrisório para uma atriz de Hollywood, mas caro para uma mendiga em qualquer lugar do Brasil.

E o que o preço tem a ver com a cor? Da mesma forma que caro e barato depende da conta bancária de cada um, a cor do vestido também depende de como o cérebro de cada um funciona. No caso do #TheDress, as pessoas se dividem em duas categorias, dourado-e-branco ou azul-e-preto. A cor do vestido original é azul-e-preto, mas o que interessa é a foto que gerou um vestido muito diferente (ilustração acima) e os observadores se dividem entre azul-e-preto ou dourado-e-branco. Quem tem razão? Todo mundo.

dress color

Nosso cérebro vem equipado com um mecanismo que se chama constância perceptual. Para que serve isso? Para trazer um pouco de estabilidade para nossas vidas já tão conturbadas. No caso específico da cor, a constância é um mecanismo que está o tempo todo descontando as mudanças na iluminação para que a cor dos objetos se mantenha estável. Sem a constância de cor perceberíamos os objetos mudando constantemente de cor porque a luz emitida pelos mesmos – de fato – muda de acordo com a mudança na iluminação, seja natural ou artificial. Em outras palavras, não vemos diferenças onde elas existem e, portanto, “não vemos o mundo como ele é, mas sim como pode nos ser útil” como afirma Beau Lotto.

Alguns cérebros assumem que a iluminação é amarela e descontam essa iluminação percebendo o vestido azul-e-preto e outros assumem que a iluminação é azul e descontam essa iluminação percebendo o vestido dourado-e-branco. A simulação abaixo é a que melhor ilustra a diferença entre aquele que desconta a iluminação azul (esquerda) e aquele que desconta a iluminação amarela (direita).

Decodificando o desconto da iluminação! https://xkcd.com/1492/

Decodificando o desconto da iluminação! https://xkcd.com/1492/

Se a tarefa fosse decidir entre uma iluminação azul ou verde o vestido não tinha virado sucesso. Azul e verde não são cores oponentes e as diferenças teriam passado desapercebidas. Descontar a iluminação azul gera uma percepção onde predomina amarelo e descontar o verde gera uma percepção onde predomina o vermelho. Amarelo e vermelho são duas cores diferentes mas entre uma e outra existe uma infinidade de amarelos-avermelhados, amarelos-alaranjados, laranjas-avermelhados, entre muitas outras descrições similares que já estamos acostumados e não causaria nenhuma polêmica.

No caso do azul e do amarelo, que são cores oponentes, quando o cérebro assume um ou outro o resultado perceptivo difere completamente. Descontar a iluminação azul gera uma percepção onde predomina amarelo e logo as pessoas percebem dourado-e-branco enquanto descontar o amarelo gera uma percepção onde predomina o azul e as pessoas percebem azul-e-preto. Entre o azul e o amarelo não existe nenhum intermediário porque não existem azuis-amarelados ou amarelos-azulados e, portanto, nomeamos de amarelo ou dourado ou qualquer outro nome que não contenha azul ou, então, nomeamos de azul ou qualquer outro nome que não contenha nada de amarelo e é aí que reside a diferença gritante.

Human Color Space

Human Color Space

O que faz uma pessoa ver dourado-e-branco e uma outra pessoa ver azul-e-preto? Na minha pesquisa, 50% percebem dourado-e-branco e 50% percebem azul-e-preto. Se esse resultado for confirmado, a escolha entre ver dourado-e-branco ou ver azul-e-preto pode ser mero resultado do acaso orquestrando nossos cérebros assim como tirar cara ou coroa é também uma obra do acaso. Se minha amostra não for confirmada, a resposta mora em algum outro lugar e Drummond estava certo porque “cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua myopia”. Nesse caso, uma pesquisa mais adiante poderia nos ajudar a entender o que difere os que veem dourado-e-branco dos que veem azul-e-preto, mas de uma forma ou de outra, está todo mundo com a razão porque nossas mentes foram projetadas para ver um pouco mas não muito e isso varia de cérebro para cérebro.

A cor é muitas vezes pensada como uma qualidade do objeto ou da luz, mas isso não é verdade. A cor é um fenômeno mental determinado por processos neuronais e a luz é apenas o início desse processo que termina com a percepção de uma ou mais cores. A experiência do azul-e-preto ou do dourado-e-branco, assim como todas as outras cores, é uma construção mental.

A versão longa desse artigo pode ser lida em A Polemica do Vestido ensina: Nós vemos o que pensamos!

Claudia Feitosa-Santana é neuroscientista e especialista em percepção de cores com mestrado em psicologia experimental e doutorado em neurociências e comportamento pela Universidade de São Paulo, e pós-doutoramento em neurociências integradas pela Universidade de Chicago. Mora em Chicago e é atualmente professora da The School of The Art Institute of Chicago e da Roosevelt University.